VISTO DE FORA

Volta covid, a Ucrânia já não vende

person holding camera lens

por Tiago Franco // agosto 10, 2022


Categoria: Opinião

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Gustavo Tato Borges, que julgo ser o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, disse em Novembro de 2021 que a pandemia só acabaria quando o Mundo todo fosse vacinado.

Neste tipo de declarações fico sempre baralhado com termos como “o Mundo todo”. “Comunidade internacional”, por exemplo, sei que costumam ser para aí uma dezena e meia de entre as quase duas centenas de países. “Mundo todo”, por norma, costuma ser, vá lá, os países da União Europeia, da América do Norte, o Brasil, a Argentina, o Japão, a Austrália, a China, a Nova Zelândia, a Rússia e Singapura. Essencialmente, quem marca presença em campeonatos do mundo, é bom com números ou fornece cenários à Hollywood.

doctor holding red stethoscope

Ora, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em Maio deste ano apenas 57 países tinham vacinado cerca de 70% da sua população. Não é preciso referir mas, diz lá, países na sua maioria com dinheirito para os melões.

Portanto, nas palavras do camarada Tato, a pandemia nunca acabará. No mesmo ano, o famoso 2021, também nos disseram que a pandemia se transformara em endemia e, portanto, agora havia que viver com a bicheza, tal como fazemos com os outros 1.000 vírus que mastigamos diariamente.

Eu não percebo nada de vírus, e muito menos consigo diferenciar especialistas de especialistas pela verdade, mas aprecio vidas normais e aborrecidas, pelo que escolho aqueles que me dizem “é seguir e deixarem-se de merdas”.

Ora, o Tato apareceu ontem, se a memória não me falha, num jornal qualquer da manhã, ali entre os programas do Goucha e do Cláudio Ramos, a dizer para nos prepararmos para o Inverno nas escolas.
Para já, tudo bem, nada de máscaras e tal, janelas bem abertas enquanto o sol bate, mas assim que a nortada chegar e o primeiro puto espirrar – ou “espilrar” como diziam lá nos encontros de família –, há que acatar medidas de contenção.

blue and brown hand painting

Espirros para casa, suspeitas de constipação logo para isolamento e consoante a quantidade de casos, pode-se voltar ao ensino online. Máscaras, certamente, e continuar a lavar as mãos, aquilo que já se devia fazer sem pandemia, também entram no cardápio.

Ora, “vamlá a ver”, é para viver com isto ou não? É para assoar e seguir caminho, ou para ser tratado como uma constipação musculada que transporta o Apocalipse?

Antes do Verão, os especialistas renegados pelo Infarmed dizem que a vida é para continuar sem restrições, mantendo os cuidados naturais que todos devemos ter perante infecções respiratórias. Por exemplo, não sei se antes da covid-19 vocês tinham o hábito de esfregar a cara no colega de carteira enquanto ele espirrava ou se assoava. Eu sempre apostei na distância, antes de me dizerem que tínhamos que fechar restaurantes e abrir fábricas, porque este vírus era dotado de variantes que não se manifestavam em lugares de produção.

É um vírus que, aliás, vê a vida um pouco pelos meus olhos. Gosta mais de zonas de lazer do que locais de trabalho. Quem é que o pode criticar?

woman in black jacket holding white paper

Morre gente como nunca neste país – e não por causa da covid-19 –, estamos vacinados com as 500 doses de reforço, já deixámos os miúdos a apanhar bonés na escola durante dois anos, vamos pagando a fatura do endividamento do Estado com os sucessivos confinamentos e… não aprendemos nada?

Os suecos com menos mortes, e infinitamente menos dívidas, é que continuam a ser os malucos desta história porque abrem as escolas aos miúdos?

Quando é que nos livramos deles? Dos especialistas, entenda-se…

Tiago Franco é engenheiro de desenvolvimento na EcarX (Suécia)


N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.

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