Crónicas de um Ofício Santo

Lambadas em inocentes

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Por mais que se discuta sobre a violência doméstica, este tema não permite esgotar-se, infelizmente.

Doutos conhecedores tecem considerações, apresentam números e duras críticas ao sistema. Brincam com dados, mais ou menos tendenciosos, que continuam a depender de quem encomenda os estudos. Assim, por mais que se discuta na praça pública a questão, continuamos sem encontrar soluções.

A violência doméstica está presente em diferentes lares, não conhecendo idade, estrato social ou nível de literacia. Pratica-se violência contra mulheres, contra homens, contra crianças, contra idosos… Não devia ser assim. Assusta-me assistir ao esgrimir do tema pelos meios de comunicação. O assunto vende, e por isso lá vão aparecendo exemplos, contados na primeira pessoa, que nos tocam no coração. Lamento que haja um aproveitamento do tema e não uma verdadeira luta para erradicar este mal.

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A solução encontra-se enraizada na educação. Na resposta integral para a construção de uma sociedade evoluída moralmente. Falta, por isso, ganhar consciência do sentido da vida. Assim, resolvendo o problema na raiz, não será necessário apontar os erros nas respostas às denúncias ou nos processos judiciais. As utopias ainda fazem sentido. Sabemos para onde queremos caminhar e temos a certeza de onde não queremos permanecer.

A nossa integração social vive de uma resposta constante à lei do mais apto. Desde cedo apercebemo-nos de que necessitamos de esquemas e artimanhas para alcançar o que pretendemos. Entre choros e gracinhas, os mais pequeninos lá nos levam a ceder às suas vontades. Conforme crescemos simplesmente vamos apurando este nosso lado profundamente humano.

O despertar para uma moral alicerçada numa consciência ética, está em entender o que é o homem. Não perceber isto é não entender o que é a vida. Podemos discutir política ou até mesmo religião, mas há uma inclinação natural para o bem comum que, mais que discutir devemos viver. Nem todos têm o mesmo grau de desenvolvimento intelectual; nem todos têm a capacidade de discernir profundamente os assuntos e, por isso, compete a quem é capaz de o fazer, ajudar a transformar o mundo em que vivemos num mundo melhor.

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É nossa obrigação denunciar a violência doméstica do nosso vizinho, mas o mais importante é não sermos violentos no nosso lar. Pensar o mundo só faz sentido se formos capazes de acolher a educação moral. A violência faz parte da natureza humana. Basta atentar na nossa História para percebermos como boa parte dela se desenrolou à lei da pancadaria. Lutar contra esta tendência é inverter a nossa natureza. Qual pedra bruta, devemos deixar que o escultor nos possa talhar. Mas, há sempre uma pergunta que se impõe: que mãos é que nos vão moldar?

Quando era criança ouvia a música Lambada, um ritmo brasileiro que escutava enquanto sonhava com o dia em que haveria de dançar com uma morena linda e bem agarradinho. Recorda-me a frescura do amor inocente. Na altura, tinha seis anos e não sabia que havia por aí outras “lambadas”…

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