Coisas & Causas

O nosso lixo vale dinheiro

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por José Ramos e Ramos // setembro 23, 2022


Categoria: Opinião

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Os portugueses não recebem cheta da sua participação nos lucros da Sociedade Ponto Verde.

E não é justo, porque ao comprarmos uma garrafa de água, pagamos também o vasilhame de plástico para ser recolhido e reciclado. E isso acontece em todas atividades que produzem “lixo”.

A Sociedade Ponto Verde recebe tanto “lixo”, que colocou dois anúncios a cobrir a primeira e nas últimas páginas do jornal Expresso, que é caro.

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Não está em causa atividade desta empresa, mas a necessidade de pagamento dos resíduos.

Reciclar não é apenas, como diz a Sociedade Ponto Verde uma ambição, mas um comércio.

Em Portugal existem, por exemplo, empresas de reciclagem de plástico, com lucros evidentes e belos automóveis à porta, como verifiquei quando fiz, há poucos anos, uma reportagem sobre o assunto.

O título do anúncio é claro: “Sabe quem é o responsável por 81% da reciclagem das embalagens em Portugal?”

Claro que sabemos: são os portugueses que metem as embalagens nos ecopontos. E embalagens são pagas, quando se compra um produto.

Publicidade da Sociedade Ponto Verde no jornal Expresso.

É necessário instituir o direito de pesagem na entrega de embalagens e de “lixo” para que aconteça uma transação justa. Porque a Sociedade Ponto Verde não é uma instituição benemérita.

Se todos receberem a sua parte neste negócio, não ficará no chão um único pedacinho de papel.

E nem será necessário voltar a pôr anúncio no jornal Expresso. A vida custa a todos. O lixo vale dinheiro.

José Ramos e Ramos é jornalista (CP 214)


N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.

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