PELOTA EM PELOTA

Quis saber quem sou, o que faço aqui

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por Tiago Franco // novembro 28, 2022


Categoria: Opinião

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Chegou o dia de Portugal dizer o que veio fazer ao Qatar: se passear e mandar umas bocas, como o nosso Marcelo; ou se dar uso ao excelente naipe de jogadores que vestem aquela camisola do Lidl, e que me garantem ser mesmo o equipamento oficial. 

O Uruguai é, de longe, o opositor mais forte no grupo de Portugal. Fernando Santos disse, na última conferência de imprensa, que a selecção uruguaia estava algo envelhecida relativamente à que nos eliminou em 2018.

“Suarez e Cavani têm agora mais cinco anos do que tinham em 2018”, disse o nosso Nando. Na verdade, são mais quatro anos, mas ninguém espera que um engenheiro seja rigoroso em contas de merceeiro. Ou se calhar meteu nos cálculos o famoso coeficiente de cagaço, muito famoso entre engenheiros civis, e em vez de um 4 saiu-lhe um 5.

Claro que, quais Benjamin Button, os nossos Ronaldo, William, Pepe, Bernardo e Bruno Fernandes estão agora quatro ou até cinco anos mais novos.

Felizmente, tivemos Bernardo Silva a marcar presença na mesma conferência de imprensa, e, para deleite dos presentes, explicou durante 15 minutos que um jogador de futebol consegue pensar e articular mais do que três frases repetidas a cada domingo. 

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Disse, o já garantido futuro presidente do Benfica, que a selecção aprendeu com os erros das últimas derrotas (Sérvia e Espanha) e que hoje se nota mais vontade e articulação no controlo dos diferentes momentos do jogo.

Bernardo não disse, mas eu sei que ele sabe que as individualidades resolveram o jogo contra a débil equipa ganesa, e que o jogo colectivo, na primeira parte, se resumiu a uns exasperantes 1.000 passes laterais. É pouco, muito pouco para um Campeonato do Mundo onde Portugal deve ter legítimas aspirações. 

Em todo o caso, Matemática à parte, o Uruguai é o adversário mais cotado e, contra ele, Portugal pode fazer a sua afirmação: a de ser um candidato, como se exigiria perante a equipa disponível; ou a de continuar a ser um calculista desmedido que joga para não perder, com toda uma lentidão de processos que já ninguém suporta ver.

Em suma, a selecção portuguesa vai hoje dizer se quer acompanhar a Bélgica como desilusão deste Mundial ou se, em vez disso, vai meter a França em sentido, fazendo-a saber que não corre sozinha pelo ceptro mundial.

Tiago Franco é engenheiro de desenvolvimento na EcarX (Suécia)


N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.

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