Recensão: Aves de Portugal Continental

Um guia sobre quem nos olha de cima para baixo

por Pedro Almeida Vieira // dezembro 1, 2022


Categoria: Cultura

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Título

Aves de Portugal Continental

Autores

GONÇALO ELIAS e JOSÉ FRADE

Editora (Edição)

Arena - Penguin Random House (Maio de 2022)


Cotação

17/20

Recensão

Um qualquer citadino, talvez fique surpreendido pela grossura do livro Aves de Portugal Continental – que se subintitula Guia Fotográfico, embora seja mais um guia de campo, e tenha mais, muito mais do que fotografias.

De facto, aos tais citadinos – e há cada vez mais, infelizmente, habituados a ver, nos jardins urbanos, quando muito, uns pardais, uns melros e, no seu tempo, umas andorinhas – pode causar pasmo vislumbrar a necessidade de se usarem 448 páginas para catalogar todas as aves portuguesas, e ainda por cima excluindo as dos Açores e da Madeira.

Na verdade, até serão poucas. Até se poderiam dispensar mais, porquanto temos contabilizadas, entre nós, 466 espécies de aves selvagens, havendo 172 cuja observação é rara (ou acidental) e outras 294 bem mais frequentes. É sobretudo sobre este segundo grupo que os autores, Gonçalo Elias e José Frade se debruçam. Ou melhor dizendo, são 294 as aves retratadas através da câmara fotográfica de José Frade, e sob a “pena” de Gonçalo Elias, dois dos mais conhecidos ornitólogos do país.

Mais do que um simples guia de campo – embora numa dimensão necessariamente compacta,  em papel resistente de excelente qualidade, como convém a um exemplar que se quer mais a deambular no campo do que parado na estante –, esta é uma obra de divulgação científica e didáctica, que mereceria, talvez, uma outra versão alternativa, mais alargada, dir-se-ia em tamanho “monumental”, para folhear no sofá. Não apenas para se destacarem melhor as excelentes fotografias de José Frade, mas também para dar mais "espaço" e detalhe às notas pedagógicas e esclarecidas de Gonçalo Elias.

Em todo o caso, neste formato compacto, o leitor não fica mesmo nada mal servido com tudo aquilo que este livro – lançado em Maio deste ano e já com segunda edição – lhe oferece. Agrupadas por ordens taxonómicas, as espécies são identificadas pelo nome comum e científico; além de fotografias (uma das quais em tamanho maior), são apresentadas algumas das suas características (dimensão, envergadura, frequência e abundância), bem como informações complementares e breves referências ao habitat e distribuição. De grande utilidade é o mapa de Portugal, dividido por regiões, indicando onde se pode encontrar cada espécie, em função do respectivo estatuto (residente, invernante, estival ou migradora de passagem).

Para passear pelo campo, munido dos sempre necessários binóculos, ou para folhear em casa, este é, sem dúvida, um livro de consulta e leitura obrigatórias – e servirá também  para não esquecermos que não andamos aqui sozinhos, e que, pelos céus, há quem nos olhe de cima para baixo. Mesmo quando nós não os respeitamos, e nem sequer conhecemos a sua grande utilidade.

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