Cânone P1

António José Forte

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António José Forte (1931-1988) é uma aparição poética de rara qualidade nos horizontes ideológicos e culturais do Portugal do pós-guerra. Não se notabilizou pela extensão da obra escrita – e muito menos vasta foi a sua produção publicada. Entre outras coisas, até lhe aconteceu ter a sua escrita cercada por um “mimo estilístico” que esteve muito em moda no tempo de Salazar: a censura – actividade de tão zelosos prosélitos que conseguiu manter-se intocada na famosa primavera marcelista e anunciava-se incólume no “programa democrático” do Spínola pós 25 de Abril.

Há hoje, em 2022, quem tente revovar a actividade em nome da “ordem” democrática a que poderíamos chamar demucratura.

De facto, um dos textos que melhor marca o grito ascensional de Forte, delimitando os cordões extensíveis do seu ringue de combate permanente, intitulado “Um Palito para Alfred Jarry”, embora fosse extremamente curto, levou um corte de quase 50%. Ficou, assim, silenciada uma das mais breves, incisivas e lúcidas apresentações que jamais foi feita, na nossa terra, desse pai de toda a produção literária que encabeçou o modernismo, num grito de maldição à “literatura” e à cultura, do teatro do absurdo au surrealismo, passando pelo dadaísmo.

Apenas aí se tocava na arquipersonagem Ubu, comentando-lhe as mandíbulas insaciáveis e a mentalidade escroque, tal como ela aparece na trilogia de Jarry, mas foi o suficiente para os inquietos marcelistas, de tal forma as entidades burlescas das peças tinham semelhanças com as que dominavam (e dominam, diga-se de passagem) a cena política e financeira portuguesa contemporânea. De facto, um dos excertos cortados, no texto que acabou por não ser publicado, dizia o seguinte:

ó cabecinhas, barrigas-de-petróleo, patriotas encuecados de ideal borrado, crocoloditas de pança encortiçada, mandibulantes de carniça operária, grandes escritores de tinta da china maricas – esse Pão que todos os dias nos rebenta na boca logo de manhã, e depois à mesa, e na cama à noite, e sempre, enquanto este tempo de Ubus não for empurrado para o alçapão – «nobres para o alçapão, magistrados para o alçapão, financeiros para o alçapão» – Alfred Jarry de seu nome de letras crepitando no organismo da fêmea do super-macho e escrito no espelho de cada um, esse Pão com vidro moído por dentro para dar aos generais, com fumo para entrar nos olhos dos cães de guarda da paisagem…” (Forte, 2003: 125).

Uma das dificuldades de escrever, hoje em dia, acerca de Forte e da sua poesia, advém, em grade parte, de pouco se ter escrito sobre ele, desde os primeiros momentos em que a sua poesia saiu a lume, ao longo de, praticamente, trinta anos. De algum modo, a excelência e a altura da sua poesia consumia-se, em surpresas e espantos, no próprio momento, não deixando rasto de comentário, nem lastro para debate posterior. Não era deliberadamente, para obter essa ausência de contradiscurso ou análise crítica, mas resultava assim. Tudo se passava como se o acto poético, muito em modelo dadaístico, se consumisse no próprio momento da sua encenação poética única.

De pequenas dimensões, os seus opúsculos líricos, esparsos, outros poemas seus publicados em revistas, raramente se apresentava a sua escrita à atenção de uma crítica mais morosa, que procurasse aquilatar da originalidade do poeta, ou correlatar as intervenções de Forte com os antepassados com que mais evidentemente mantinha laços, sobretudo por essas ligações se apagarem, quase, face ao emergir do seu dizer, como uma urgência de grito e de diferença, por sobre as ameaças de abismos e de espantos siderais.

Não obstante a justeza de uma opinião como a de Herberto Helder, que o pronuncia como uma “voz não plural, nem derivada, nem devedora” e possuidora da “sua própria tradição”, por essa mesma urgência irreprimível que caracteriza os seus escritos e o modo circunstancial de emergirem – como discursos que não podem ser adiados nem silenciados –, a “inteligência fundamental do mundo” que, nele, se abre “imemorial e dinâmica”, segundo o mesmo Herberto Helder, tem relacionamentos óbvios com escritores, escolas e grupos que o antecederam, ou que foram seus coetâneos, com os quais a sua obra pode ler-se em estado de diálogo.

Há alguns nomes e pontos de referência que podem ser enumerados, porque ele próprio se lhes refere. E essas referências são as do absurdo tal como Jarry o via e desenvolvia em patafísica (ciência que se dedica a estudar “as leis que regem as excepções” e a explicar “o universo suplementar ao que conhecemos”), o dadaísmo e o surrealismo. Outros contactos são menos explícitos, mas podem ser conjecturados. Em concomitância com a própria tradição que o surrealismo instaura, A. J. Forte deixa-se seduzir, de modo notório, na sua produção, pela ficção fantástica e maravilhosa, pela visão anarquista do mundo, e pela alquimia. São notórios, nos seus escritos, traços desses grandes territórios do imaginário e das formações discursivas.

Quanto ao fantástico, não é difícil notar, nos seus textos, a relação com alguns pontos de referência, quer sejam de origem folclórica, quer se desenvolvam como produção culta, nas vertentes do gótico, do macabro ou do absurdo, quer emparceirem com outras produções que têm como destinatários os mais jovens. Hans Cristian Andersen, Isidore Ducasse, Baudelaire e Franz Kafka parecem emergir como sombra tutelares e, em seguida, dissolverem-se, para surgirem em novas virtualidades, em muitos dos seus textos, em que não falta, também, a presença da simbologia alquímica, como nos aparece, por exemplo, em “Sereníssimo”:  “A passo de leão até à primeira rosa/ de cor em cor até ao fim da terra// antes de mil anos e de mil olhos cegos//num silêncio de neve a arder/de cidade em cidade/até um nome em carne viva//…

Uma referência especial a não esquecer, é a da inspiração beat, como reacção à poesia “culta”. As ressonâncias beatniks, sobretudo a de Ginsberg, manifestam-se pelo lirismo de protesto, cheio de apelos à acção enérgica (ainda que sem causa, pelos menos de moldes tradicionais…pelo que a causa parece ser o próprio acto poético), propondo “a sinceridade acima da arte, a intensidade imediata acima da forma” (Brown, 1973: 300). 

Relembremos aqui, de acordo com o que dissemos anteriormente, que, não obstante o entusiasmo que o seu nome sempre gerou entre os companheiros de geração, sobretudo entre todos aqueles que fizeram parte do grupo do café Gelo, não são muitas as abordagens críticas ou analíticas à sua obra. É verdade que havia todo um impulso de reconhecimento, aprovação e sintonia entre os seus leitores.

No entanto, talvez pelo facto de as suas publicações serem breves e esporádicas, as considerações aprofundadas para compreender a sua prática poética ou estética quase não existiram, o que é lamentável, dado que teria sido interessante que os intelectuais, poetas e críticos do seu tempo tivessem reflectido sobre a matéria publicada, e sobre os factos culturais que levaram à sua escassez.

Mais recentemente, algumas tentativas têm sido feitas, como nos revela, por exemplo, o texto de Maria José Vitorino Gonçalves, realizado no âmbito de um mestrado em ciências da educação, ao rastrear algumas das abordagens mais abrangentes à sua obra:

Ligado ao movimento surrealista, e ao segundo grupo do Café Gelo desde logo se identificou com o abjeccionismo, “um ponto do espírito onde, simultaneamente à resolução das antinomias, se tome consciência das forças em germe que irão criar novos antagonismos” (Pedro Oom). Neste grupo se integraram Hélder Macedo, Mário Cesariny, Ernesto Sampaio, Herberto Hélder, Manuel de Castro,Virgílio Martinho, Benjamin Marques, Pepe Blanco, Henrique Varik Tavares, João Rodrigues, António Gancho, José Escada, Gonçalo Duarte, António Areal, Manuel d’Assumpção, João Vieira. Ao Café Gelo desse tempo se refere, em 1986, em artigo publicado no JL: “Dada tratado por tu, o surrealismo olhado nos olhos, e sempre o trapézio voador do humor negro Todos os dias alguém na véspera de partir para Paris”. Na Lisboa da Ditadura, na palavra véspera moravam ao mesmo tempo o desejo de liberdade e a demora no efectivo acesso a outros mundos. Como aponta Maria de Fátima Marinho (2002[1] : p. 288-289): “segundo Cesariny, o grupo que se reunia, por volta de 1956-59, no Café Royal e no Café Gelo, estava votado a um “abjeccionismo conjuntural”. O termo abjeccionismo fora criado por Pedro Oom. Com a sua introdução, o autor de Actuação Escrita pretendia determinar a existência de uma dialéctica constante que transformaria o ponto supremo dos surrealistas numa tese, sujeita a uma antítese e a uma síntese futura, síntese esta que daria lugar a uma nova tese, numa dialéctica infindável. António José Forte coloca-se voluntaria e conscientemente sob a tutela da teoria abjeccionista de Pedro Oom. Incapaz de responder á pergunta carismática do abjeccionismo “O que pode um homem desesperado quando o ar é um vómito e nós seres abjectos?”, o autor de 40 Noites de Insónias refugia-se no absurdo e no non-sense. ”A aventura, para António Maria Lisboa , é o conhecimento poético. Para Forte, é antes acção poética, identificada com a Liberdade, a Revolta, o Desespero que a justificam e instauram como fundamento maior da posição abjeccionista. Para ambos, fundamental, pois “seria irrelevante qualquer actividade intelectual quenão fosse antes de mais uma aventura [no modo] de viver” (Fernando B. Martinho: 1985, p.90[2]). Em 1970, é significativa a presença de António Barahona da Fonseca, António José Forte, Eduardo Valente da Fonseca, Ernesto Sampaio, João Rodrigues, Manuel de Castro, Maria Helena Barreiro, Pedro Oom, Ricarte-Dácio, Virgílio Martinho na antologia Grifo).

No fundo, ele acaba por constituir-se como exemplar pleno de uma tradição, quase sem ruptura, na grande espiral do grito abjeccionista, com o qual a arte procurou apresentar a sua própria versão de intervenção no mundo: na política, na economia, nos salões e, em geral, em todos os convívios para os quais era convocada a mais radical presença perturbadora. Em ruptura com tudo o que era o passado canonizado, a literatura, a poesia, mesmo a modernista de tradição simbolista, Forte encarna, como poeta, a prática da maldição e da rejeição da cultura. 

Porém, não devemos esquecer que o acto de ruptura praticado tem os seus pontos supremos no esticão abjeccionista, ou no inconformismo beatnik, através do angustiado “uivo”,   

(“I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked, dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix, Angel-headed hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night”),

como canta o célebre trecho do poema “Howl”, tão frequentemente recordado, aparecendo quase como prosopopeia de uma geração focalizando, pelos olhos de Ginsberg , em longa enumeração, o caos e a desarmonia, patente no lista interminável  dos vencidos pelo sistema, dos abandonados pela civilização e proscritos pela cultura. Esse grito é complexo e pregnante, e não deve ser lido como uma atitude de apagamento pela ignorância…

Ao contrário, como a própria prática poética e cultural de Forte o demostra, a ruptura dá-se em relação ao que muito bem se conhece. A cultura a sacudir tem de estar bem presente no bardo abjeccionista. Porque, conhecer, respeitar e admirar, eventualmente, o clássico, a tradição, não é sinal de submissão, ou veneração. Em contrapartida, o mais profundo respeito que o acto abjeccionista cria é o de se bater por uma diferença, por todos os meios, que vão da paródia e achincalhamento até ao grito de protesto contra a hipocrisia que se esconde sob a capa de uma cultura literária e bem educada, que recusa ver e/ou valorizar os procedimentos de ruptura que estão no interior de toda a criação poética, incluindo a canónica.

É assim que o próprio Forte a vaticina, lapidarmente, no poema que escreveu, desafiadoramente, em prosa, intitulado “Uma Faca nos Dentes”: “A acção poética implica: para com o amor uma atitude apaixonada, para com a amizade uma atitude intransigente, para com a Revolução uma atitude pessimista, para com a sociedade uma atitude ameaçadora. As visões poéticas são autónomas, a sua comunicação esotérica”.

Este sentido do desafio radical, da colocação, da postura poética em estado de riste, face a um mundo de desconjunções permanentes, desenvolve-se, em Forte através de paradigmas ideológicos muito precisos: uma exigência de cidadania sem vontade de concessões a qualquer espécie de mediocridade ou de raciocínio conformista; uma exaltação da amizade em limites muito para lá do cumprimento das boas regras; e um reconhecimento da função do poeta dificilmente circunscrita nas cartilhas de qualquer escola ou grupo.

Diga-se, desde já, quanto a este último caso, que as suas referências explícitas – a António Maria Lisboa e, através dele, à mais próxima e absoluta emergência do surrealismo; a Jarry e, com ele, através de Ubu, à intromissão da poesia na vida e à tomada de posição poética face a todas as investidas dos agentes históricos; e a Dada, em afirmação da disposição inquebrantável para todas as desobediências – revelavam admirações, mas nunca submissões.

Porque, para Forte, mesmo na pessoa integral e serena com quem qualquer conversa pessoal era sempre o prazer de um convívio franco e aberto, uma busca como a poética não podia, em nenhuma circunstância, ser assumida como banalidade. Sob os seus desígnios é que a amizade, a intervenção cívica, a relação com os outros e a escala dos valores se estruturam pela emergência do amor. Porque essa poesia, como ele o vê muito bem através da evocação de Dada, é a que faz acontecer a vida como integral surpresa, a que é sempre um acontecer e não admite cristalizações: “Houve uma revolução Dada que está ainda a haver, mas não haverá nunca uma exposição Dada” (“Exposição Dada”, Folheto de 1982 – in Forte, 200: 121).

Sobre a amizade, ele é bem explícito, quando se refere aos grandes convívios fundadores de todo um movimento poético em torno do surrealismo, no Café Gelo, no texto “Um exemplo (há vinte anos) – O Café Gelo e o chamado Grupo do Café Gelo”, que se manteve inédito até à edição, póstuma da recolha (possivelmente muito incompleta) feita sob o título de Uma Faca nos Dentes (2003).

Jovens, alguns adolescentes, todos rebeldes, a crítica à cultura vigente era a actividade quase constante. E a exaltação de «Orpheu», do surrealismo, uma prática quase Dada, os valores por que orientavam os ataques à literatura, às artes, à política, incluída nesta a oposição progressista. São  estes valores o núcleo de atracção e repulsão que definirá personalidades, que as ligará por laços de camaradagem e amizade, que unirá personalidades em projectos literários falhados a maior parte deles, em projectos revolucionários também falhados quase todos, mas que afinal, desaparecidos do Café Gelo, continuam ao longo dos anos a manter uma idêntica atitude inconformista” (2003: 142).

A intervenção cívica do poeta, que se exprime, por exemplo, em “Poema”, por “esta cabeça em fúria do poeta” (2003: 97)  transforma-se em “Desobediência civil” em nome da qual o a voz cantante pode afirmar:

eu passo de bicicleta à velocidade do amor

atravesso a terra de ninguém com um dia de chuva na cabeça

para oferecer aos revoltados” (p. 96).

Mas a sua expansão plena talvez deva ser evocada através do poema que dedica a Cohn-Bendit, como ilustração da incontornável fatalidade de termos o encontro marcado com a História, como se da morte se tratasse – não podemos querê-la nem evitá-la:

António José Forte trabalhou na Fundação Calouste Gulbenkian, chegando a ser encarregado das famosas bibliotecas itinerantes.

Deves ter razão

e certamente a História não tardará a pôr-te os cornos

um corno vermelho e outro corno negro

grande e delirante cornudo

minotauro bufando

e investindo à altura do sexo

Sou pela razão ardente dos teus cornos!

Pisaste bem o rabo de deus

mordeste bem o pescoço do diálogo

enfiaste admiravelmente bem

primeiro um corno depois o outro

no Cu Pró Ar da política

que era o que ela estava a pedir

Como detonador e mais nada já sabes

«porque ninguém representa ninguém»

e «a Poesia deve ser feita por todos»… (2003: 61).

Contudo, do Forte que eu conheci, como poeta, muitos anos antes de ter conhecido a afável pessoa com quem mantinha intermináveis conversas, nos dois ou três cafés em que nos encontrávamos, na zona da Trindade, junto com outros amigos, todos já menos jovens, mas ainda intolerantemente presentes, desse Forte mítico que, para mim, antecedeu a pessoa serenamente fascinante que ele era, ficou-me para sempre a imagem de um mundo catastroficamente atravessado pela sua visão poética:

Herberto Helder prefaciou Uma faca nos dentes, em 1983, a antologia de António José Forte, publicada originalmente em 1983.

 “Descerão por paredes sangrentas

e subirão do asfalto (….)

com um estandarte negro seguro nos dentes

e descerão sempre cada vez mais e cada vez de mais alto

até chegar à orla do inferno e chorarem as últimas lágrimas

e partirem de vez” (2003: 46).

É que, para a dor visionária de estar sempre nesse “tempo em que os generais falavam” (2003: 31), houve apenas, em Forte, exclusiva e rigorosamente, como compensação, o amor, mesmo que ele fosse sempre perdido e só depois do sonho encontrado:

alguma coisa onde tu corresses

numa rua com portas para o mar

e eu morresse

para ouvir-te sonhar” (2003: 41)

Quando, em finais de 1988, soube da morte de António José Forte, só uma frase me veio aos lábios, com o arrepio da tristeza: “Ainda tínhamos tanto que falar, ele ainda tinha tanto para dizer…

Carlos Jorge Figueiredo Jorge é professor emérito da Universidade de Évora


Bibliografia

Brown, John, 1973, Panorama da Literatura Americana do Século XX, Dom Quixote, Lisboa

Forte, António José, Uma Faca nos Dentes, 2003 (nova edição), Parceria A.M. Pereira, Lisboa


[1] MARINHO, Maria de Fátima, – «Surrealismo» In: História da literatura portuguesa / dir. Óscar Lopes, Maria de Fátima Marinho. – Lisboa : Alfa, 2002. – Vol. 7, p. 269-302

[2] MARTINHO, Fernando J. B., «António José Forte: uma faca nos dentes», Colóquio Letras Nº 86 (Julho 1985). – p. 89-90.

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