RECENSÃO - SÉRIE DE TELEVISÃO

Mayor of Kingstown

por Bernardo Almeida // Abril 29, 2023


Categoria: Cultura

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Título

Mayor of Kingstown (2021)

Género

Drama: Thriller

País de origem

Canadá

Plataforma

Sky Showtimes

Criador

Taylor Sheridan e Hugh Dillon

Actores principais

Jeremy Renner; Tobi Bamtefa; Dianne Wiest; Emma Laird; Aidan Gillen

Nota

8/10

Recensão

Escrita por Sheridan e Dillon, Mayor of Kingstown, cuja segunda temporada da série finalizou em Março passado, na Sky Showtimes, pode ser sintetizada como um drama sobre o conluio e o conflito da corrupção na polícia, o sistema prisional e co-existência com os gangs organizados na cidade fictícia de Kingstown, no estado norte-americano do Michigan.

Mike McLusky (Jeremy Renner) é um intermediário entre os gangs que chefiam as prisões e o tráfego de droga, os guardas prisionais e a polícia. Sendo ele mesmo um antigo presidiário, é visto por todas as partes como um perito daquilo que é passível ainda que ilegal.  Por sua vez, Bunny (Tobi Bamtefa) é o líder do gang mais notório, que negoceia com Mike todo o tráfego que entra e sai da prisão em nome de uma paz ténue e armada.

Personagem marcante na série, Iris (Emma Laird) é uma prostituta infiltrada na vida de Mike, que incendeia todas as relações em seu redor. E destacam-se também Mariam McLusky (Dianne Wiest), que mostra o compasso moral do qual todos os outros se desviam, e Milo Sunter (Aidan Gillen), o gangster russo, antagonista de Mike, a quem este lhe deve favores perigosos.

Mayor of Kingstown mostra o lado perverso das relações de poder e a interdependência entre as várias partes que se sentam à mesa simbólica. Nesse sentido, a premissa clássica entre heróis e vilões, onde estes são sempre postos à lupa do negativo e aqueles de redentores que vêm salvar os inocentes como um western antigo, é substituída por algo mais cru e pernicioso.

Não há heróis nesta série. A linha da moralidade, tão propalada em filmes hollywoodescos, é cruzada por todos. Não existem polícias idealistas, que querem mudar o sistema, nem guardas prisionais que não alinham no “jogo”, ou ainda mulheres virginais à espera da determinação do bem.

A cidade de Kingstown, embora fictícia, é o pano de fundo que representa a impossibilidade da paz e harmonia, e que, por mais que se lhe queira escapar, de uma forma ou de outra todas as personagens são obrigadas a se adaptarem, tanto às regras como à incerteza que a violência causada pelo poder.

Visto dentro do contexto actual, com a crescente desconfiança nas instituições norte-americano – o ataque ao Congresso é um exemplo –, os movimentos como o “defund the Police”, e as inúmeras manifestações antirracistas a integrarem o quotidiano, Mayor of Kingstown surge a pegar nestes elementos e fazer uma "normalização" da promiscuidade entre as autoridades e os criminosos.

Já com duas temporadas, e uma pontuação de 8.2 no IMDB e o maior cliffhanger de todos, aparentemente é a continuidade da carreira de Jeremy Renner – entretanto a recuperar de um grave acidente com um limpa-neves – que se mostra determinante para saber se e quando teremos a terceira temporada.

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