Estátua da Liberdade

O Estado é o nosso Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda

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No romance de Camilo Castelo Branco, A queda de um anjo, o personagem Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda é um fidalgo português da província. Casou-se por interesse com Teodora Barbuda de Figueiroa, igualmente, claro está, de boas famílias. Era um amante da tradição e dos bons costumes.  

Em certa altura, a vida perfeita de Calisto foi abalada com a sua eleição como deputado, obrigando-o a partir para Lisboa. Na capital, ele conhece uma mulher chamada Adelaide e apaixona-se loucamente, sentindo, pela primeira vez, o verdadeiro amor.

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Mas, para desgraça de Calisto, Adelaide não correspondeu ao amor de Calisto, dado este ser um homem casado – esta, aparentemente, tinha princípios. Desta forma, Calisto teve de virar-se para outras paragens. E assim aconteceu. Pouco depois, ele conhece a jovem viúva do general Ponce de Leão, uma brasileira loira, com cerca de trinta anos. Esta aceitou o amor de Calisto para obter uma pensão. Calisto apaixona-se perdidamente e monta-lhe uma casa. A partir deste momento, foi a total transformação de Calisto: passa a adoptar costumes modernos que antes condenava; o verdadeiro Calisto, aquele que sempre existira, enfim, revelara-se, finalmente.

O Calisto dos portugueses é o Estado. É tão amado, mas tão amado, que os portugueses depositam nele toda a sua confiança. Nas suas instituições, nas suas agências de notícias, nas suas certificações, nos seus estudos, nas suas estatísticas.

Os portugueses e os demais povos ocidentais têm uma espécie de relação infantilizada com o Estado. Adoram ser inimputáveis, serem tratados como criancinhas, receberem ordens e directrizes. No fundo, o papá Estado é tudo na sua vida!

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Não logram ver que existem regras distintas para eles e para o Estado. Se um privado, como a Dona Branca, defrauda os demais com um esquema piramidal, deve ser severamente punido.

Apesar de tudo, ninguém se atreve a apontar o dedo à Segurança Social, um fraude sem paralelo e que apresenta apenas duas diferenças em relação ao celebérrimo e falecido Sr. Madoff: (i) a adesão ao esquema é obrigatória, com ordem de cadeia para quem se recusar a aderir; (ii) a saída do esquema é apenas possível no momento em que o Estado assim o decide, sejam 60, 62, 65 ou 70 anos. O Sr. Madoff usava os seus encantos para captar os clientes, enquanto o Estado diz-nos que estamos a praticar solidariedade intergeracional!

Se um privado manipula o mercado, “prática que consiste em alguém que tem uma influência significativa sobre a oferta ou procura de determinado instrumento financeiro, aproveitar-se dessa possibilidade de forma a distorcer o preço de referência, pode ser punido com uma pena de prisão até três anos ou com pena de multa. E o que acontece aos Bancos Centrais que todos os dias manipulam os preços das obrigações com dinheiro de monopólio? Nada, estão a “estimular a economia”, estão a “trabalhar para o nosso bem”.

Como podemos ser tão facilmente ludibriados por um lento e sub-reptício confisco a tudo o que produzimos: pagamentos por conta, retenções na fonte, taxas de segurança social com dois conceitos, empregador e trabalhador, que na verdade são pagas do mesmo bolso, do empregador, em que este é responsabilizado criminalmente se falha, taxas na conta de electricidade, taxas e impostos sem fim num simples litro de gasolina.

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São impostos sobre o consumo, sobre a propriedade, sobre a aquisição de propriedade, sobre ganhos mais-valias, sobre a poupança, sobre o rendimento; nem mesmo o assaltante mais prodigioso se lembraria de tal esquema!

Em 2022, o Estado português arrecadou 106 mil milhões de euros em receitas, o que representa cerca de 10 mil euros por cidadão português, incluindo idosos e crianças; 40 mil euros numa família de quatro pessoas.

Se o Estado português não assaltasse subrepticiamente, através de múltiplos conceitos, e apresentasse uma conta única do assalto a cada cidadão no final de cada ano, neste caso 10 mil Euros, seguramente ocorreria uma revolução.

Mas os portugueses continuam felizes. Felizes por serem vítimas de um assalto sem fim. O escol que os domina e parasita, ri-se, todos os dias, a bandeiras despregadas da condição de escravatura da população. A máquina de extorsão é paga pelas vítimas, e trata-as como se de criminosos se tratassem à mínima falha. Nada, nem ninguém, põe na ordem esta máquina, que executa as suas cobranças mesmo quando os cidadãos impugnam judicialmente as suas decisões.

O Estado até se julga no direito de regular todos os aspectos da nossa vida. Proíbe-nos de consumir drogas, promovendo o crime organizado, a violência e a miséria de muitos. Apesar de não afectar a liberdade de terceiros, quer decidir os locais onde podemos adquirir e ter os nossos vícios, em nome da nossa saúde.

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Há dois anos, este Estado tirano forçava a inoculação de toda a população com substâncias experimentais, desenvolvidas em menos de um ano. Mais uma vez, tudo em nome da nossa saúde. O Estado “só quer o nosso bem”, mesmo quando fecharam os hospitais durante a falsa pandemia, era tudo para “salvar vidas”!

Apesar de pagos com o saque à população, uma panóplia de serviços é anunciada como “gratuita”, seja a saúde ou a educação, adoptando quase sempre modelos soviéticos. Um planeador central, um burocrata ao serviço dos salteadores, contrata todos os funcionários e fornecedores que inevitavelmente termina em corrupção, ladroagem e compadrio. No caso da educação, até serve para o Estado doutrinar os nossos filhos a serem subservientes e pagadoras felizes de tributos.

O mais surpreendente? Aceitarmos o confisco permanente por via da inflação. Deixámos a um cartel bancário e a um Banco Central que os coordena, em nome do Estado, roubar-nos permanentemente através da emissão contínua de dinheiro por contrapartida de dívida.

Os bancos, com uma licença bancária, podem livremente emitir dinheiro, enquanto o comum cidadão, caso o faça, vai directamente para os calabouços (artigo 262º): “Quem praticar contrafacção de moeda, com intenção de a pôr em circulação como legítima, é punido com pena de prisão de três a doze anos.” Isto é para nós, para eles, justifica-se tudo em nome do bem comum!

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O mais extraordinário? Quando o Estado obriga os privados a policiar gratuitamente todos os movimentos financeiros dos cidadãos, em nome, vejam só, do combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo. Ou seja, o cidadão tem de se submeter, sem resistência, tal como um gladiador, ao assalto. Por outro lado, qual a legitimidade para combater o terrorismo?

Não há organização mais terrorista que o Estado, seja na invasão de países (Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia…), onde se assassinam milhões e milhões de pessoas em nome da “liberdade” e da “democracia”; seja quando o Estado atropela as nossas liberdades, decretando a nossa prisão domiciliária, em nome do “combate a um vírus invisível”; seja quando o Estado deseja inocular-nos de forma coerciva com uma substância experimental, tal como as experiências do Dr. Josef Mengele, através de um certificado digital; seja quando o Estado legaliza o assassinato de pessoas, através do aborto ou da eutanásia.

Será que finalmente iremos apercebermo-nos que o Estado é na verdade Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, uma personagem de Camilo Castelo Branco? Está na hora de acordarmos, pois vivemos numa tirania!

Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário


N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.

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