Recensão: Construa a Vida que Quer – A arte e a ciência de se tornar mais feliz

Manual para ser feliz

por Ana Luísa Pereira // Março 8, 2024


Categoria: Cultura

minuto/s restantes

Título

Construa a vida que quer

Autores 

ARTHUR C. BROOKS; OPRAH WINFREY (tradução: Sofia Ribeiro)

Editora

Casa das Letras (Dezembro de 2023)

Cotação

14/20

Recensão

No sítio de Arthur C. Brooks encontramos alguma informação sobre o autor, que é professor de Prática de Liderança Pública na Harvard Kennedy School e de Prática de Gestão na Harvard Business School, onde leciona cursos sobre felicidade, liderança e empreendedorismo social.

É o criador da popular coluna “How to Build a Life” na revista The Atlantic, e autor de 13 livros, incluindo o bestseller do New York Times de 2022, “From Strength to Strength e Love Your Enemies”. É um orador reconhecido pelas palestras sobre felicidade humana, trabalhando também para aumentar o bem-estar dentro de empresas privadas, universidades, agências públicas e organizações comunitárias.

É provável que em Portugal (e noutros países) tenha ganhado, agora, visibilidade pela parceria estabelecida com Oprah Winfrey, uma das figuras públicas mais influentes e admiradas do mundo inteiro.

Com 70 anos feitos recentemente, Oprah tem já um legado enorme em diversas áreas do show business, nomeadamente como apresentadora, jornalista, atriz, empresária, repórter, produtora, editora e escritora. Ganhou vários Emmy pelo programa “The Oprah Winfrey Show” - provavelmente o talk show mais conhecido e visto em todo o mundo. 

É possível acompanhar uma série de outras atividades subscrevendo o seu sítio: OprahDaily.com.

Como se pode ler na contracapa deste “Construa a Vida que Quer – A arte e a ciência de se tornar mais feliz”, publicado pela Casa das Letras, Arthur C. Brooks e Oprah Winfrey chegaram à conclusão, durante um jantar, que aquilo que as pessoas querem é ter mais alegria, mais amor nas suas vidas e um propósito. Não querem ter muitos seguidores nas redes sociais, nem muito dinheiro; querem ser felizes.

Se o parágrafo anterior parece transpirar alguma ironia, é provável que, no mínimo, os potenciais leitores deste livro de autoajuda se sintam curiosos quanto à desvalorização eventualmente dada às questões materiais por parte de Oprah Winfrey.

Ironias à parte, A arte e a ciência de se tornar mais feliz pode ser um manual muito útil para as pessoas que se sentem assoberbadas pela necessidade de corresponder e mostrar as evidências materiais de sucesso da contemporaneidade. Um tempo profundamente marcado pela partilha da vida privada nas redes sociais, nas quais se dá a impressão de que são todos imensamente felizes com as coisas que compram, sejam esses objetos mais ou menos imponentes, ou a acumulação de experiências extraordinárias, como viagens para ilhas de sonho.

O que os autores vêm lembrar é que a felicidade está muito longe dessa materialização que, de tão ostensiva, se torna vazia – como pode ser a vida de muitos dos que transportaram as suas vidas para os écrans.

Para este curso para se ser mais feliz, o livro está dividido três partes.

Na primeira parte, os autores procuram demonstrar que a felicidade não é o objetivo, tanto mais que a felicidade não é a ausência de infelicidade. Além disso, a infelicidade não é o inimigo – é possível ser-se feliz, vivendo com circunstâncias que causam infelicidade. Um pouco na linha de que depende muito da perspetiva com que olhamos para o que a vida nos proporciona, sendo certo que aqueles que veem o copo meio cheio estão mais perto destes princípios.

Na segunda parte, o leitor é convidado a usar o poder da metacognição para reconhecer que a linguagem do amor e da gratidão, sobretudo se registados num diário, são imprescindíveis para compreender e gerir as emoções, sem se deixar controlar por estas.

Em primeiro e segundo lugar, há que observar e registar as emoções; de seguida, criar uma base de memórias positivas e, em quarto lugar, dar significado e aprender com as partes difíceis da vida. A redação reflexiva está, por isso, implícita – o que significa que deve haver um trabalho contínuo e mesmo árduo.

Uma das ideias desenvolvidas nesta segunda parte refere-se à mudança de foco, de deixarmos de nos concentrar tanto nas nossas necessidades e passarmos a olhar mais para os outros e para o que podemos fazer pelo seu bem-estar: uma fonte de felicidade.

Na terceira e última parte do livro, os autores procuram mostrar que são, fundamentalmente quatro os pilares que sustentam uma vida mais feliz: Amigos, Família, Trabalho e Fé. É no equilíbrio destas bases de satisfação que seremos capazes de perceber que a felicidade é algo intrínseco, que deve ser de dentro para fora - e que não está no contexto ou nos bens materiais exteriores à nossa existência.

Por isso, mais do que uma receita, é um trabalho individual para aceitar com serenidade o que não se pode mudar e de encontrar amor e coragem para construir o equilíbrio necessário para manter aqueles quatro pilares.

É uma leitura que se pode indicar ao leitor que está disponível para se dedicar ao autoconhecimento e sem a ambição de ser milionário, como a Oprah Winfrey.

O jornalismo independente DEPENDE dos leitores

Gostou do artigo? 

Leia mais artigos em baixo.

Ah, os aviões! Dinossauros gigantes a galgar a pista. Um rugido grave que se aproxima. Suave, primeiro. Forte. Novamente suave, até ...

A humanidade segue erguendo-se e se reiventando, em busca de novos mundos, observando e iluminando caminhos para as suas raízes Bruno ...

Título A malnascida Autora BEATRICE SALVIONI (tradução: Ana Cláudia Santos) Editora (Edição) Alfaguara (Outubro de 2023) Cotação 17/20 Recensão O livro ...