COISAS & CAUSAS

Uma Lisboa dividida em duas

black Fayorit typewriter with printer paper

por José Ramos e Ramos // agosto 4, 2022


Categoria: Opinião

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O actual ministro das Finanças, Fernando Medina, deixou uma Lisboa dividida entre ricos e remediados. Não interessa se ele é socialista ou não. Carmona Rodrigues já tinha pré-anunciado o mesmo quando fez futurologia sobre as bicicletas em Lisboa.

Carmona Rodrigues era então presidente da Câmara de Lisboa, e eu, repórter, perguntei: “E então o senhor passa a vir de bicicleta para o seu gabinete, aqui, na Praça do Município, a subir e a descer? “

A resposta foi um “rtahtfdrts” – uma coisa incompreensível, como seria de esperar.

people walking on sidewalk near yellow tram during daytime

Há hoje duas Lisboas: as que têm estacionamento para residentes e as que não têm. O estacionamento reservado a residentes concentra-se nas zonas mais endinheiradas: nas Avenidas Novas ou no Bairro Azul, e parece feito para enxotar os remediados. Já no Bairro dos Olivais, o estacionamento é para quem o apanhar. E o local é igualmente concorrido, por exemplo, a volta do shopping Spacio.

Foi por coisas destas – e pela Margarida da Abraço, que fazia compras de uma forma muito especial – que Fernando Medina perdeu as eleições em Lisboa… depois de andar a estreitar todas as ruas e a ajardinar quase apenas o eixo principal Restauradores-Entrecampos.

Entretanto, na Avenida Defensores de Chaves duplicou a ciclovia que já existia, em paralelo, na Avenida da República. E não contente, espetou-se com um estacionamento para residentes numa artéria com prédios em ruínas e semi-habitada.

Essa é uma das muitas ratoeiras que se espalhou pela cidade.

Os automobilistas chegam, têm o imposto de circulação em dia, estacionam o veículo, pagam o talão de parqueamento e… zás!, não repararam que a placa central é para residentes… que escasseiam.

São “paletes” de lisboetas a cair nestas ratoeiras.

E mais. A muito odiada EMEL explica-me que os estacionamentos e a sua marcação são da inteira responsabilidade da Câmara de Lisboa.

Bonito! Vamos ver, como tratará as mordomias de trânsito, Carlos Moedas, que já foi eleito há quase um ano.

José Ramos e Ramos é jornalista (CP 214)


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