COISAS & CAUSAS

O porteiro da Secreta dorme em serviço

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por José Ramos e Ramos // agosto 5, 2022


Categoria: Opinião

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A recente venda de milhares de imóveis do Novo Banco ao desbarato continua a deixar uma interrogação sobre a utilidade dos serviços secretos portugueses.

O SIS nasceu com uma mãozinha do MI-5 inglês e da Mossad israelita, e é uma agência muito considerada internacionalmente. Não é um organismo policial. Assim como o “Caso BES” também não é um caso de polícia.

Os negócios do Novo Banco têm deixado boquiabertos milhares de portugueses, que não conseguem pagar as rendas ou as prestações das suas casas.

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Mas nada se sabe dos esforços das secretas, nada se sabe dos esforços para desvendar o rasto dos muitos mil milhões de euros desaparecidos.

Dizia-me um juiz que é apenas uma questão de vontade política!

O sector bancário tornou-se opaco. Tem custado rios de suor aos portugueses. Trabalha-se mais horas e paga-se mais impostos para assim tapar buracos financeiros.

O património do Novo Banco foi vendido, segundo consta, a um accionista… do Novo Banco (um fundo de pensões americano), que pediu parte do crédito ao… Novo Banco. Bonito!

Têm-se afirmado que não se sabe bem quem são os verdadeiros accionistas do tal fundo americano.

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Em boa verdade, não há Governo que tome decisões difíceis sem ouvir os “zunzuns” do Conselho de Segurança. Em Portugal, nessa mesa, sentam-se a GNR, Polícia Judiciária, PSP, SEF e, obviamente, o SIEDM (Serviço de Informações Estratégicas e Defesa) e o SIS (Serviço de Informações e Segurança).

Os serviços secretos podem não ter abordado o assunto com clareza na reunião, mas o director do SIS já terá esclarecido o primeiro-ministro.

As relações económicas são, desde há muito, o verdadeiro objectivo das secretas em todo o Mundo. Paulo Portas foi até mais longe. Pediu aos diplomatas para serem “antenas” de Portugal em qualquer país onde metessem os pés.

A Economia escapou ao controle político em todo o Mundo, mas não escapa ao controle da comunidade das secretas.

O mundo inteiro está sobre escuta. Nos telefones, SMS e Internet.

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O gigantesco big-wacth tem até um nome: Echelon. Uma rede de vigilância global operada pelos signatários do Tratado de Segurança UK-USA.

Há mais de 10 anos, o antigo eurodeputado Carlos Pimenta fez perguntas sobre o Echelon. Sem se perceber porquê.

Eles sabem tudo. Escutam todos.

E se disserem que não, a culpa será do porteiro do SIS, apanhado a dormir em serviço.

José Ramos e Ramos é jornalista (CP 214)


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