Recensão: Revolução Portuguesa - 1974-1975

Da ditadura à democracia: a revolução necessária

por Ana Luísa Pereira // setembro 2, 2022


Categoria: Cultura

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Título

Revolução portuguesa: 1974-1975

Autor

Vários (AAVV) - Coordenação: Fernando Rosas

Editora (Edição)

Tinta da China (Maio de 2022)

Cotação

19/20

Recensão

A publicação e edição do livro Revolução Portuguesa – 1974-1975, pela Tinta da China neste ano de 2022, vem na sequência do Seminário de História Contemporânea - 2021, organizado pelo Instituto com a mesma designação, sob a coordenação de Fernando Rosas, professor emérito da Universidade Nova e catedrático jubilado pela FSCH/Nova.

No ano em que se iniciam as comemorações dos 50 anos do fim da ditadura, o coletivo de nove autores que a obra congrega assegura, desde logo, enorme qualidade e grande rigor aos textos incluídos.

O texto de Fernando Rosas, coordenador do seminário e da sua publicação, “Do golpe militar à revolução”, ajuda-nos a identificar e a compreender os principais acontecimentos que terão dado origem ao golpe militar de 1974.

Maria Inácia Rezola, professora adjunta da Escola Superior de Comunicação Social e investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC), foi recentemente nomeada Comissária Executiva da Estrutura de Missão do 50.º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, em substituição do actual ministro da Cultura (Pedro Adão e Silva), é a autora do segundo capítulo. Com o texto, “Definindo o poder político-militar (do 25 de Abril ao 11 de Março)”, a autora procurou retratar as estruturas e centros de poder dos primeiros meses depois da Revolução, ajudando-nos, assim, a entender a importância e papel das Forças Armadas nas primeiras etapas da revolução.

Com Manuel Loff, professor associado do Departamento de História e Estudos Políticos Internacionais da FLUP e investigador/coordenador do IHC, e o seu contributo, “A Revolução, do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975: Impulso, Auge e Refluxo”, compreendemos a notoriedade e a importância da revolução portuguesa no contexto internacional. Com efeito, o tardio colapso da colonização portuguesa era um estudo de caso para os cientistas políticos (do mundo ocidental), estando sob forte vigilância por parte de países como Estados Unidos e Rússia, devido às questões do armamento e da Guerra Fria.

Albérico Afonso Costa, professor coordenador no Instituto Politécnico de Setúbal, reporta-se ao caso particular de Setúbal para discutir a “Disputa política-ideológica nas Comissões de Moradores e Trabalhadores”.

Quem melhor para nos situar em relação à “Política Agrícola e Reforma Agrária, 1975”, do que Fernando Oliveira Baptista, então ministro da Agricultura e Pescas (IV e V Governos Provisórios, de 26 de Março a 19 de Setembro de 1975) e professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia/Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural?

Com o capítulo, “Economia e Socialismo: o antiplano de Mário Murteira”, Ricardo Noronha, investigador do IHC, procura analisar as intervenções de diversos protagonistas no âmbito da construção de um novo modelo de desenvolvimento económico no Portugal pós-25 de Abril, “do qual ‘socialismo’ foi o nome mais frequente”.

Hugo Castro, investigador do Instituto de Etno-Musicologia, com o texto intitulado “A canção de protesto na Revolução dos Cravos”, além de trazer uma dimensão cultural à obra, analisa a importância instrumental e repercussão de “Grândola, Vila Morena”, que lhe valeu diversos atributos, entre os quais: “senha da liberdade”, “canção da liberdade” e “hino da revolução”. A sua importância é de tal ordem, que continua a ser uma canção emotiva para a generalidade dos portugueses (com mais de 47 anos, pelos menos).

“Descolonização: o colapso do Império” é o título da intervenção de Pezarat Correia, oficial general reformado que se doutorou aos 85 anos, com uma dissertação sobre a descolonização. A sua experiência e a sua tese de 500 páginas dão-lhe autoridade para se dedicar aos designados três ciclos do império português, focando-se, aqui, no derradeiro ciclo africano, aquele que encerraria “o próprio projeto colonial”.

Finalmente, Pedro Aires Oliveira, professor associado no Departamento de História da FSCH/Nova e investigador integrado do IHC, fecha com o desejo de mudança veiculado à Revolução, com o texto: “A esfera do possível: política externa e diplomacia na transição para a democracia (1974-1976)”. O livro termina, assim, com a relevância e influência do contexto internacional, nas suas lutas políticas e sociais do período, na política externa do Estado democrático emergente em Portugal.

Pelo exposto, podemos perceber a dimensão e importância que esta obra detém na compreensão da História recente de Portugal. Quase 50 anos volvidos, é possível ter um olhar um pouco mais distante e quase objectivo sobre o 25 de Abril, que, como refere Maria Inácia Rezola, recorrendo a José Medeiros Ferreira, é um acontecimento que “marca uma era e divide a sociedade em antes e depois”.

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