Um gigantesco prédio moderno de nove pisos está abandonado, há dez anos, ao início da Avenida da República, em Lisboa, como se fossemos todos ricos.
A confusão entre mercado imobiliário especulativo e Economia tem embaraçado a Câmara Municipal de Lisboa, que não expropria o edifício em esqueleto para o levar a leilão. Para um privado o repor no mercado.
O edifício pertence, segundo consta, à Sonangol, e tem um erro de construção para escritórios: o pé-direito é baixo e não permite tecto falso para cabos.
Este enorme elefante atesta que os “xico-espertos” podem esbanjar recursos. E depois ignorar as leis mais simples do capitalismo em Lisboa: quem tem dinheiro compra, quem não tem vende.
Os donos daquele esqueleto, que é uma ferida profunda na cidade, preferem ter um depósito bancário a céu aberto, porque o dinheiro no banco… não rende nada!
José Ramos e Ramos é jornalista (CP 214)
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